Pesquisa revela que mercúrio de extração ilegal persiste no solo 50 anos após fim de garimpo

O pesquisador Matheus Bortolanza Soares explicou que o cerne do problema é o uso indiscriminado do metal para amalgamar o ouro

Uma pesquisa detalhada pela Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, com base em dados da Universidade de São Paulo (USP), revela um cenário preocupante sobre o legado tóxico da mineração ilegal no Brasil. O estudo aponta que vestígios de mercúrio continuam ativos e perigosos no solo da Mata Atlântica mesmo após 52 anos da interrupção das atividades de extração.

A investigação, realizada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), evidencia que a contaminação por metais pesados não desaparece com o tempo. Conforme repercutido pela Rádio Itatiaia, as amostras coletadas mostram que o mercúrio permanece com alto potencial de impacto ambiental, afetando diretamente microrganismos do solo e ameaçando a base da cadeia alimentar.

O pesquisador Matheus Bortolanza Soares explicou que o cerne do problema é o uso indiscriminado do metal para amalgamar o ouro. Em entrevista citada pela emissora mineira, Soares reforçou que, no garimpo clandestino, não existe controle de proporções ou fiscalização, o que resulta em um despejo massivo de poluentes. Sem a devida responsabilização ambiental, essas áreas acabam abandonadas sem qualquer processo de recuperação.

De acordo com o levantamento destacado pela Rádio Itatiaia, os números são alarmantes:

700 toneladas de mercúrio são lançadas anualmente no meio ambiente pela mineração ilegal de ouro no país.

O acúmulo ocorre tanto no solo quanto em bacias hidrográficas, gerando um passivo ambiental duradouro.

Embora o foco inicial tenha sido a Mata Atlântica, a pesquisa — monitorada pela Rádio Itatiaia — expandiu a análise para outros territórios. Foram encontrados níveis críticos de contaminação em solos da Amazônia, Cerrado e Pantanal, provando que o rastro da mineração predatória é um problema sistêmico e nacional.

Os riscos à saúde humana são severos. A exposição crônica ao mercúrio, que se infiltra na microbiota e na fauna, pode causar danos neurológicos permanentes em pessoas que consomem alimentos ou água de áreas afetadas.

Diante do rastro de poluição que atravessa gerações, a Rádio Itatiaia ressalta que o estudo sugere soluções tecnológicas para tentar mitigar o estrago. Uma das principais alternativas apresentadas pelos pesquisadores é o uso de biocarvão. Esse material atua como uma espécie de “esponja”, capaz de absorver o mercúrio e auxiliar na reestruturação química do solo, promovendo inclusive a reposição de carbono em áreas degradadas pela exploração mineral irracional.

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