Presidente do BID discute mineração de terras raras com o Papa Leão XIV

Especialistas apontam que a influência do Papa não determina decisões de investimento, mas pode moldar o debate público entre igreja, comunidades locais e empresas mineradoras. A discussão envolve governança, padrões de trabalho e proteção ambiental.

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, reuniu-se em Roma com o Papa Leão XIV nesta semana. O encontro teve foco na mineração de terras raras e na necessidade de salvaguardas para evitar erros do passado na exploração de minerais para o setor tecnológico global.

Goldfajn disse que a mineração de terras raras pode representar vantagem econômica para a América Latina, desde que haja padrões ambientais, governança robusta e agregação de valor local. Ele participou de uma entrevista na véspera da reunião, apresentando o portfólio do BID na região, avaliado em US$ 4 bilhões.

A audiência ocorre em um contexto em que o Vaticano tem histórico de críticas a grandes projetos de mineração, especialmente por impactos sobre povos indígenas e meio ambiente. O Papa já havia conversado com executivos do setor de mineração no início deste ano, segundo o BID.

Contexto regional e possíveis impactos

Segundo Goldfajn, a região tem potenciais em metais críticos, incluindo terras raras, usados em smartphones, semicondutores e veículos elétricos. O BID mantém projetos com Chile, Argentina e Brasil, com predominância de investimento privado.

O Papa Leão XIV tem experiência de atuação na região, incluindo o Peru, onde conheceu de perto a realidade de comunidades indígenas diante de projetos mineiros. A visita do Papa pode influenciar diálogos entre dioceses locais e empresas de mineração.

Espera-se que a visita dele ao Peru, em novembro, inclua locais onde o religioso atuou. Em abril, o Vaticano lançou campanha para desinvestimento de empresas de mineração, promovendo maior transparência e participação de comunidades indígenas.

Perspectivas e limitações

Especialistas ouvidos pelo jornal apontam que a influência do Papa não determina decisões de investimento, mas pode moldar o debate público entre igreja, comunidades locais e empresas mineradoras. A discussão envolve governança, padrões de trabalho e proteção ambiental.

Goldfajn destacou que o processamento de terras raras envolve uso de químicos e riscos à água se não houver monitoramento adequado. O BID afirma possuir ferramentas para incentivar práticas responsáveis na região.

O Vaticano não divulgou comunicado sobre a audiência privada entre o Papa e Goldfajn. Em outra agenda, o Papa criticou, durante uma audiência com participantes de uma conferência ambiental, a lógica de lucro sem considerar impactos sobre comunidades vulneráveis.

Fonte: Portal Tela

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