Reportagem O Tempo: Com jazidas com prazo de validade, cidades mineiras precisam se preparar para o pior

Embora o repasse coloque o Estado na liderança nacional do setor, o cenário gera forte preocupação, visto que a receita corrente de municípios de médio e grande porte atrelada à atividade varia de 60% a 90%

O cronômetro da mineração em Minas Gerais está correndo e o prazo de validade das jazidas avança de forma implacável, levantando o incômodo questionamento sobre a preparação dos municípios para o fim da atividade. Conforme publicado pelo Jornal O Tempo, de Minas, nenhum município mineiro está de fato preparado para o encerramento da extração mineral se ela cessasse hoje. De acordo com a matéria, que ouviu o consultor de relações institucionais da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Waldir Salvador, a magnitude da mineração sufoca outras iniciativas econômicas locais, criando uma dependência fiscal e de empregos da qual os territórios não conseguiram se emancipar nas últimas décadas.

O site detalha que, em 2025, 528 das 853 cidades mineiras repartiram R$ 3,5 bilhões arrecadados com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Embora o repasse coloque o Estado na liderança nacional do setor, o cenário gera forte preocupação, visto que a receita corrente de municípios de médio e grande porte atrelada à atividade varia de 60% a 90%. Além da dependência fiscal, a reportagem aponta barreiras geográficas e logísticas severas como entraves para atrair novas indústrias, citando Itabira — berço histórico da mineração que enfrenta há décadas o isolamento e a lentidão na duplicação de vias de acesso como a BR-381.

A situação de Itabira também foi abordada pelo presidente do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, que pontuou na matéria os esforços positivos e atuais para diversificar a economia local, embora admita que muitas prefeituras se acomodaram ao longo dos anos. A legislação da CFEM prevê que os royalties sejam usados para preparar o futuro pós-mineração, mas, segundo o Ibram, há uma falha grave na gestão desse recurso na ponta final. O texto do Jornal O Tempo ressalta a crítica da Amig de que o governo estadual também falhou ao deixar os municípios sozinhos no planejamento, o que pode desencadear um futuro êxodo urbano e sobrecarga nos serviços públicos de saúde e educação à medida que as minas se esgotarem.

Diante do risco real e imediato, ilustrado por episódios recentes de exaustão de minas em Rio Piracicaba e Santa Bárbara, a reportagem procurou a Vale para comentar sobre os cronogramas operacionais. Por nota oficial, a mineradora informou que possui Planos de Fechamento de Mina atualizados e que, no caso específico de Itabira, conseguiu ampliar o horizonte de funcionamento do complexo de ferro até 2053, data que anteriormente estava prevista para 2041. A empresa também citou projetos de reconversão econômica e diálogo social em Nova Lima, em uma unidade desativada desde 2002, como alternativas de reutilização do espaço.

Para reverter esse diagnóstico de vulnerabilidade, o site mostra as frentes estratégicas do Sebrae focadas na descoberta da vocação natural de cada região. A transição econômica proposta envolve a modernização de leis urbanísticas, desburocratização, investimento em regularização fundiária e fomento à economia criativa, polos de tecnologia e turismo. Adicionalmente, especialistas sugerem o fortalecimento da economia circular enquanto a mineração ainda pulsa, articulando para que as grandes mineradoras comprem insumos prioritariamente de fornecedores locais, desenvolvendo um parque industrial independente e capaz de atender a outros mercados no futuro.

Por fim, a matéria apresenta referências internacionais de sucesso que poderiam inspirar o modelo mineiro. Exemplos na Escócia e na Irlanda transformaram antigas minas em polos turísticos, enquanto a Noruega investe seus royalties de petróleo em um fundo soberano voltado para energia limpa. Há também a defesa de que Minas Gerais se espelhe na Suécia para se tornar um polo exportador de inteligência e inovação tecnológica mineral, convertendo o conhecimento técnico acumulado em uma indústria permanente de equipamentos e softwares. No entanto, o Jornal O Tempo encerra com um alerta urgente de Waldir Salvador, lembrando que todos os municípios mineradores estão em aviso-prévio diante de uma verdadeira bomba-relógio socioeconômica.

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