O futuro do cobre e o papel do metal na transição energética global dominaram os debates do 27º Congresso Mundial de Mineração (WMC 2026), realizado em Lima. Conforme aponta o site Brasil Mineral, o painel intitulado “Da urgência para a ação” reuniu lideranças globais do setor para traçar um diagnóstico desafiador: a demanda mundial pelo metal crescerá em um ritmo muito superior à capacidade atual de oferta e produção da indústria.
Durante o evento, Eve Hanson, da Energy Impact Partners, apresentou o conceito de “superciclo do elétron”, que reflete uma transformação estrutural na busca por energia. Segundo a reportagem, a estimativa é de que a demanda global por cobre salte cerca de 50% entre 2025 e 2040, impulsionada pela expansão de data centers e pela eletrificação dos transportes. Contudo, o gargalo reside na incapacidade das concessionárias e redes de transmissão em acompanhar essa velocidade.
Diante da aritmética complexa da oferta, a reciclagem deixou de ser apenas uma pauta ambiental e se tornou uma necessidade de segurança de suprimentos. A publicação destaca o posicionamento de Inge Hofkens, COO da Aurubis, que projeta a necessidade de 6 milhões de toneladas adicionais de cobre refinado até 2035. Para atingir essa meta, cerca de 2,5 milhões de toneladas precisarão vir de fontes secundárias, o que exige avanços urgentes na infraestrutura global de coleta e processamento de resíduos eletroeletrônicos.
No segmento de mineração primária, o desenvolvimento de novos projetos (greenfields) enfrenta barreiras severas de tempo e financiamento. De acordo com a matéria, a CEO da Ivanhoe Mines, Marna Cloete, enfatizou que uma nova mina leva de 12 a 15 anos para iniciar a produção e exige altos investimentos em viabilidade. A executiva defendeu a necessidade de a indústria expandir suas fronteiras geológicas para regiões menos exploradas e investir massivamente na capacitação de mão de obra local.
Como alternativa mais ágil, as expansões em minas já existentes (brownfields) no Chile e no Peru despontam como uma solução de menor risco e curto prazo, respondendo por quase 40% da produção global. Paralelamente, o site ressalta que o setor busca inovações em inteligência artificial e processos de lixiviação. No entanto, a indústria ainda encontra dificuldades para testar novas tecnologias em escala real devido ao conservadorismo dos modelos de financiamento tradicionais.
O debate encerrou-se com uma reflexão sobre a sustentabilidade e a valorização do mercado. Conforme conclui a matéria do Brasil Mineral, grandes operadoras, como a Antofagasta, têm avançado no uso de energia renovável e água do mar reutilizada, conquistando certificações internacionais. Apesar disso, as lideranças setoriais cobram que os usuários finais e o mercado financeiro paguem um prêmio diferenciado pelo cobre produzido de forma responsável, dividindo o valor dessa cadeia sustentável.











