Foto: Guilherme Guerra/DeFato
A complexa relação entre a comunidade de Itabira (MG) e a exploração mineral foi o tema central de uma manifestação artística no último sábado (25). Durante a 52ª edição do Festival de Inverno do município, o rapper Thiago SKP utilizou sua apresentação para realizar um protesto contra a atuação da mineradora Vale na cidade e no estado. As informações sobre o ato foram reportadas pelo site De Fato Online.
Ao interpretar a faixa “Quanto Vale?”, o artista subiu ao palco vestindo o tradicional uniforme dos trabalhadores da mineração e em um ato simbólico de silenciamento, SKP usou uma fita cobrindo a boca com a inscrição “Vale?”.
A performance foi estruturada para chocar e promover o debate sobre as questões negativas do setor mineral. Antes do início da música, o público ouviu uma colagem de trechos de reportagens e entrevistas sobre os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, desastres que deixaram centenas de vítimas fatais e um rastro de destruição ambiental. O b-boy Keiron acompanhou Thiago SKP vestindo roupas em tons terrosos — uma alusão direta à lama dos desastres — e uma camiseta estampada com a pergunta que dá título à canção.
Confira a apresentação:
Fonte: @defatoonline
A encenação no palco foi um reflexo direto da composição musical, que aborda o dilema da licença social para operar no setor extrativista. Lançada em 2023, a letra de “Quanto Vale?” reconhece a relevância da mineração como motor econômico de Itabira, citando os investimentos locais, a arrecadação de impostos e a geração de empregos. No entanto, a faixa questiona duramente o custo desse desenvolvimento.
O artista contrapõe o lucro financeiro ao valor da vida humana e detalha impactos operacionais da mineração na rotina da cidade, como poluição, detonações de explosivos, supressão de paisagens naturais e o passivo socioambiental que será herdado pelas futuras gerações.
A apresentação também conectou o protesto contemporâneo à literatura, resgatando a visão crítica de Carlos Drummond de Andrade. O poeta itabirano, considerado um dos maiores símbolos culturais da cidade, documentou historicamente em sua obra as profundas transformações e dores provocadas pela exploração mineral em sua terra natal.
Redação CKS Online com informações do De Fato Online











