Debate realizado na EXPOSIBRAM 2026: “A visão estratégica dos países para os minerais e materiais críticos”

A necessidade de diversificar as cadeias de suprimento, ampliar o processamento mineral e fortalecer a cooperação internacional esteve no centro do debate “A visão estratégica dos países para os minerais e materiais críticos”, realizado na terça-feira (25), durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração – EXPOSIBRAM 2026 na capital mineira. Na ocasião, representantes da França, Canadá, Estados Unidos e Austrália apresentaram as estratégias adotadas por seus respectivos países, diante da crescente relevância dos minerais críticos para a transição energética, a economia digital e a segurança nacional.
O painel foi conduzido pela ministra-conselheira, cônsul-geral adjunta e representante sênior de Minerais Críticos do Reino Unido no Brasil, Sarah Clegg, a qual destacou a urgência de construir cadeias de suprimento mais resilientes diante das atuais tensões geopolíticas e da concentração da produção e do processamento de determinados minerais. Para Sarah, a crescente relevância dos minerais críticos demanda maior articulação entre governos e setor privado. “Precisamos fortalecer a cooperação entre os países para construir cadeias de suprimento mais seguras, resilientes e sustentáveis.”
França e a estratégia por mineral

O delegado interministerial para o Abastecimento de Minerais e Metais Estratégicos do gabinete do Primeiro-Ministro da França, Benjamin Gallezot, apresentou as diretrizes da estratégia francesa, estruturada a partir das particularidades de cada mineral e das necessidades específicas de suas respectivas cadeias produtivas. O planejamento contempla todas as etapas, da extração ao refino, processamento e reciclagem, buscando considerar as especificidades de cada elo da cadeia. “Estruturamos uma estratégia específica para cada mineral crítico e cadeia de valor, considerando as particularidades e as condições próprias de cada uma delas.”

A França já destinou aproximadamente € 7 bilhões a cerca de 20 projetos relacionados a minerais críticos, com foco principalmente nas áreas de refino e reciclagem. O país também recorre a incentivos financeiros e tributários como instrumentos para mitigar os riscos associados aos investimentos no setor, destaca Gallezot.
Ao abordar a relação com o Brasil, o representante francês defendeu uma cooperação que ultrapasse a simples exportação de matérias-primas, contemplando a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de etapas de processamento em território brasileiro. Segundo ele, o país reúne condições favoráveis para esse avanço, entre elas, a disponibilidade de recursos minerais, energia e mão de obra especializada.
Canadá e a força das parcerias
Na sequência do painel, a cônsul-geral interina do Canadá no Rio de Janeiro, Helen Belgrave, compartilhou a experiência canadense e ressaltou a importância de conciliar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e participação das comunidades na implementação de projetos minerais. A abordagem apresentada reforça a relevância do diálogo e da construção de relações de confiança para o desenvolvimento responsável do setor.

Entre os aspectos, por ela destacados, o papel dos povos indígenas é reconhecido como estratégico para a viabilização de novos projetos. O modelo canadense busca ampliar as oportunidades de inserção, com geração de empregos, fortalecimento das compras locais e mecanismos de compartilhamento de receitas. “A parceria com os povos indígenas é essencial para o desenvolvimento dos projetos. Buscamos assegurar sua participação, ampliar oportunidades de emprego e de fornecimento local, além de estabelecer mecanismos de compartilhamento de receitas.”
O papel do Canadá como polo de investimentos e de conhecimento para o setor mineral também foi destacado. Segundo Belgrave, o país busca ampliar sua capacidade de processamento e refino, além de mobilizar sua experiência técnica e financeira para contribuir para o desenvolvimento de cadeias produtivas mais diversificadas.
Estados Unidos e a segurança do abastecimento
Dando continuidade ao painel, o conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos, Matthew Lowe, destacou que a dependência norte-americana de fontes externas para o fornecimento de minerais críticos processados passou a ocupar posição de destaque entre os interesses estratégicos do país. “A elevada dependência de fontes estrangeiras para o acesso a minerais críticos processados foi reconhecida como uma questão concreta de segurança nacional.”

Segundo Lowe, a estratégia dos Estados Unidos está estruturada em três frentes principais: parcerias internacionais, ampliação do financiamento e investimentos em pesquisa e formação profissional. Nesse contexto, o Brasil foi apontado como um parceiro relevante. O representante também mencionou investimentos e projetos norte-americanos relacionados a minerais críticos no país, além de iniciativas de cooperação técnica e estudos voltados à ampliação da capacidade brasileira de processamento.
Lowe também defendeu o desenvolvimento de cadeias produtivas completas no Brasil, além de ressaltar as vantagens do país para a atração de investimentos no setor. Entre os fatores destacados estão a experiência histórica na mineração, a disponibilidade de recursos minerais e o potencial para ampliar e desenvolver novas etapas de processamento.
Austrália e o avanço do processamento
No caso australiano, a embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, detalhou a abordagem adotada pelo país, voltada ao fortalecimento da capacidade doméstica, ao aumento da resiliência das cadeias de suprimento, à adoção de padrões ambientais e sociais e à ampliação das parcerias internacionais.

Segundo a embaixadora, o governo australiano busca estimular o processamento no próprio país, visando reduzir a dependência da exportação de minerais com baixo nível de agregação de valor. Além da criação de mecanismos de financiamento destinados a apoiar projetos com potencial para diversificar as cadeias globais de suprimento.
Para Davies, a crescente relevância dos minerais críticos ultrapassa a lógica tradicional de mercado e os posiciona como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico. “Os minerais críticos não são apenas commodities. São ativos estratégicos que sustentam as necessidades futuras das economias, desde tecnologias avançadas até a defesa, a segurança econômica e, sobretudo, a transição para uma matriz energética mais limpa.”
Ao finalizar sua participação, a representante australiana ressaltou o estreitamento das relações entre Austrália e Brasil, especialmente diante do crescente interesse de empresas australianas pelo setor de minerais críticos brasileiro.
Fonte: ibram.org.br











