Parauapebas: Proposta quer transformar mina exaurida em reservatório de água e polo turístico

Aprovada na Câmara Municipal, indicação do vereador Alex Ohana (PDT) sugere que a Mina do Azul, próxima do fim de suas atividades, seja convertida em um ativo ambiental e estratégico para o município.

A Câmara Municipal de Parauapebas aprovou na sessão ordinária de terça-feira (05/04) uma proposta que, caso seja colocada em prática, pode mudar o paradigma do pós-mineração na região de Carajás. A Indicação nº 281/2026, de autoria do vereador Alex Ohana (PDT), solicita ao Governo Municipal a elaboração de um Plano de Uso Futuro para a Mina do Azul.

Localizada na Serra Norte, a unidade — operada pela mineradora Vale desde 1985 para a extração de manganês — está chegando ao fim de sua vida útil. Diante desse cenário, o parlamentar defende que a cidade se antecipe ao fechamento da mina, transformando o que seria um passivo em uma oportunidade de desenvolvimento sustentável.

Água: O ativo estratégico

O ponto mais inovador da proposta é o estudo para transformar a cava da mina em um reservatório de água para reforçar o abastecimento público. Com o crescimento acelerado de Parauapebas, a segurança hídrica tornou-se uma prioridade na agenda política.

Vereador Alex Ohana (PDT) é o autor da proposta.

“A eventual utilização da cava da Mina do Azul como reservatório complementar poderia representar uma solução estratégica para o futuro, desde que comprovada sua viabilidade técnica e ambiental, contribuindo para ampliar a capacidade de reserva de água e reduzir vulnerabilidades em períodos de estiagem”, afirmou Ohana em sua justificativa.

Além do minério: Turismo e pesquisa

O plano proposto não se limita ao abastecimento. A ideia é criar um ecossistema que envolva recuperação ambiental, turismo técnico e ecológico, pesquisa científica e educação. O vereador cita como referência o caso da Mina de Águas Claras, em Nova Lima (MG), onde a antiga cava tornou-se um grande lago planejado para o convívio social e preservação.

Para Ohana, o debate não pode ser deixado para a última hora. “O planejamento precisa começar de forma antecipada, com transparência, participação popular, responsabilidade institucional e visão estratégica. A Mina do Azul pode servir como projeto-piloto para a construção de uma política municipal de destinação sustentável das áreas mineradas.”

Grupo de trabalho

Com a aprovação em plenário, a indicação segue para o gabinete do prefeito Aurélio Goiano. A proposta sugere a criação de um Grupo de Trabalho permanente, unindo a Prefeitura, a Vale, o ICMBio, o SAAEP e instituições de pesquisa para avaliar a viabilidade técnica, hidrológica e sanitária do projeto.

O objetivo final é garantir que o legado da mineração vá além dos impostos recolhidos. Segundo o autor da proposta, o foco é assegurar que a riqueza explorada hoje deixe para as próximas gerações “um território ambientalmente equilibrado, socialmente justo e economicamente sustentável”.

Redação CKS Online

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