Os principais projetos de mineração de terras raras no Brasil — elementos cruciais para as novas tecnologias e para a transição energética — apresentam custos de produção equivalentes aos dos empreendimentos na China, que lidera o mercado global. As informações foram divulgadas pelo site Agência Infra, com base em um estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) publicado nesta sexta-feira (19).
De acordo com a reportagem, o levantamento aponta que o custo por quilo produzido de óxido de terras raras (o chamado “TREO”) gira em torno de US$ 30 em território chinês. No cenário nacional, a publicação detalha que o projeto com o custo mais elevado pertence à mineradora canadense Aclara, em Nova Roma (GO), operando a US$ 29,2/kg. Outras iniciativas brasileiras registram valores ainda menores: o projeto da australiana Meteoric aparece com US$ 13,07/kg, enquanto a mina da também australiana Viridis apresenta o custo de US$ 9,3/kg.
“Nós somos competitivos. Dentro da mina, a gente bate de frente com os custos chineses por causa da geologia, do teor, da maior facilidade que existe na transformação mineral, beneficiamento, na extração e na separação”, explicou Caíque Souza, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e um dos autores do estudo, em entrevista ao site.
Conforme apontado pela Agência Infra, o projeto da Serra Verde, que se encontra em estágio mais avançado de produção no Brasil, ficou de fora do levantamento pelo fato de a mineradora não divulgar os dados técnicos necessários para o cálculo dos custos.
A reportagem ainda explica que a metodologia da análise levou em conta as substâncias químicas mais relevantes entre os 17 elementos que compõem as terras raras: Neodímio (Nd), Praseodímio (Pr), Disprósio (Dy) e Térbio (Tb) — todos magnéticos e essenciais na fabricação de ímãs permanentes.
Por fim, o site informa que o estudo foi encomendado pelo MME, elaborado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), contou com o apoio técnico da União Europeia e recebeu financiamento do BID. O documento estipula uma meta ousada para o Brasil: conquistar 20% da produção global até 2040, o que equivale a 380 ktpa (quilotoneadas por ano) de TREO.







