No Dia Mundial da Diversidade Cultural, celebrado em 21 de maio, o documentário “Além do Minério” lança um olhar sensível sobre as múltiplas identidades que formam Canaã dos Carajás. O filme evidencia como a cidade, marcada pela mineração e pelo crescimento acelerado, também se consolidou como um território de encontros, histórias e tradições trazidas por pessoas de diferentes regiões do Brasil e do mundo.
Ao explorar sotaques, costumes, memórias e expressões culturais presentes no município, a produção audiovisual reforça a importância da diversidade como elemento que fortalece a convivência social e amplia a construção da identidade local, mostrando que Canaã vai muito além de sua vocação mineral.
O filme destaca histórias, encontros e identidades construídas por pessoas vindas de diferentes regiões do Brasil e até de outros países. Produzido e lançado em 2025, a partir de uma oficina de cinema documental realizada pela Babaçu Cultural, em parceria com a Casa da Cultura de Canaã, por meio do edital Casa Aberta, o filme propõe uma reflexão sobre pertencimento, diversidade cultural e memória em um território marcado pela mineração.

A produção integrou o projeto Território Vivo, iniciativa da Babaçu Cultural voltada à valorização das narrativas construídas pelas próprias comunidades. Durante o processo criativo, os participantes perceberam que, apesar das diferentes origens, todos compartilhavam trajetórias semelhantes: chegaram a Canaã dos Carajás em busca de oportunidades, melhores condições de vida e novos começos. Essa percepção coletiva se tornou a principal motivação do documentário.
Ao abordar a pluralidade cultural presente na cidade, o filme evidencia como Canaã dos Carajás foi sendo construída pelo encontro de diferentes sotaques, costumes, manifestações culturais e modos de viver. Influências do Maranhão, Pará, Minas Gerais e de outras regiões do país ajudam a compor a identidade local, que se transforma continuamente a partir dos fluxos migratórios e das relações estabelecidas no território.
Segundo o diretor do filme, Saymon Souza, mais do que retratar a atividade mineral, “Além do Minério” busca mostrar que a maior riqueza da cidade está nas pessoas. “A obra destaca histórias de moradores que carregam consigo memórias, tradições e experiências que ajudam a construir o cotidiano cultural do município. Entre os relatos que mais marcaram a equipe está o da venezuelana Victória Leon, cuja trajetória simboliza recomeço, acolhimento e pertencimento dentro de uma nova realidade social e cultural”, revela.
Saymon acrescenta que discutir diversidade cultural em uma cidade marcada pela mineração é fundamental para fortalecer vínculos de pertencimento e convivência. “Em um território onde, muitas vezes, as relações giram em torno do trabalho, o documentário procura reforçar a ideia de que Canaã também é espaço de memória, identidade e construção coletiva”, disse.
A produção também chama atenção para os desafios do cinema independente na Amazônia, especialmente diante da escassez de recursos e incentivos contínuos para o audiovisual regional. Para a equipe, registrar histórias e afetos em um território em constante transformação representa um importante exercício de preservação da memória social e cultural.
Além da recepção positiva entre os moradores, o filme já conquistou reconhecimento ao receber o prêmio Sementes do Futuro no festival Eco Cine. Para os realizadores, o impacto mais significativo está justamente na capacidade do audiovisual de despertar identificação e pertencimento ao retratar pessoas, paisagens e histórias próximas da realidade local.
Ao resumir a essência do documentário, o diretor do filme reforça que a principal mensagem da obra é: “a maior riqueza de Canaã dos Carajás não está no minério, mas nas pessoas que constroem a cidade todos os dias”.
Para assistir ao filme basta clicar neste link: https://www.youtube.com/watch?v=ZoAd3qrR7HI&t=626s







