Logística ganha papel estratégico para ampliar a competitividade da mineração brasileira

Painel “Corredores Logísticos para a Atividade Mineral”, na EXPOSIBRAM 2026, promoveu a discussão de infraestrutura, integração de modais e segurança no abastecimento de insumos estratégicos.

Fortalecer a competitividade da mineração brasileira diante dos desafios logísticos, das transformações no mercado internacional e da dependência de insumos estratégicos foi o eixo central do painel “Corredores Logísticos para a Atividade Mineral”, realizado durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (EXPOSIBRAM 2026). O encontro reuniu representantes da Vale Metais Básicos, MRS Logística, Mineração Usiminas, Mineração Rio do Norte (MRN) e Potássio do Brasil, que apontaram caminhos para aprimorar a infraestrutura de transporte e ampliar a eficiência das cadeias de abastecimento do setor.

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O encontro, mediado pelo CEO da Porto Sudeste do Brasil, Jayme Nicolato Corrêa, colocou em pauta alternativas para o escoamento da produção mineral e a integração entre diferentes modais de transporte, com o objetivo de ampliar a conexão da mineração brasileira com os mercados nacional e internacional.

Entre os desafios apresentados pelos painelistas, foi mencionado o avanço da produção mineral em outros países e o impacto desse movimento sobre a competitividade brasileira. No caso da bauxita, por exemplo, o diretor de operações da MRN, Rogério Junqueira, pontuou o crescimento da produção da Guiné, impulsionado pela parceria com a China.

De acordo com o executivo, a crescente oferta de bauxita proveniente da Guiné, em parceria com a China, impõe novos desafios à competitividade brasileira. “Atualmente, a Guiné, em parceria com a China, já colocou mais de 80 milhões de toneladas de bauxita no mercado, com projetos implantados em ritmo muito mais acelerado do que os observados no Brasil. É um cenário difícil de enfrentar. A MRN, maior produtora de bauxita do país, alcança 12,5 milhões de toneladas. Diante desse quadro, precisamos avançar em outras frentes, valorizando a qualidade do nosso minério, diversificando mercados e buscando novas alternativas”, ressalta Junqueira. Como parte dessa estratégia de expansão e diversificação, o diretor mencionou o projeto Minas Novas, iniciativa voltada à continuidade das operações de extração de bauxita no oeste do Pará.

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Logística exige novas soluções

A expansão da mineração brasileira exige investimentos contínuos em tecnologia e maior integração entre os diferentes modais de transporte, a fim de ampliar a eficiência logística e conferir maior competitividade às cadeias minerais.

Nesse sentido, a Head de Logística e Integridade Estrutural da Vale Metais Básicos, Aline Veloso, compartilhou iniciativas voltadas ao aprimoramento do transporte de cobre e à otimização da infraestrutura disponível. Entre as estratégias, a implantação de novos hubs ferroviários e o desenvolvimento de soluções destinadas a elevar a eficiência logística, com a redução dos impactos ambientais associados às operações.

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Na Mineração Usiminas, o desafio está relacionado à renovação do portfólio e à ampliação do acesso a novos mercados. O CEO da companhia, Leandro Chiardelli, ressaltou a importância de uma estrutura logística que conecte as minas aos portos, especialmente diante das oscilações do mercado internacional de fretes. “Em períodos de maior pressão sobre o transporte marítimo, a escassez de navios pode provocar elevações expressivas nos custos de frete, afetando a competitividade dos produtos minerais”, argumenta Chiardelli.

Nesse cenário, a existência de uma estrutura logística integrada entre as áreas de produção e os portos torna-se fundamental para conferir maior resiliência às operações e, consequentemente, sustentar a expansão da companhia em diferentes mercados.

Já o Diretor de Operações da MRS Logística, Daniel Dias, disse que a empresa tem buscado ampliar a integração com os clientes, otimizando a conexão entre mina, ferrovia, porto e transporte marítimo. Isso porque, cerca de três quartos da carga transportada pela companhia, são compostos por minério. “Chegamos a um ponto em que a expansão das linhas ferroviárias se torna progressivamente mais onerosa, demorada e complexa. Sob a perspectiva ambiental, a ampliação da malha também suscita questionamentos quanto à sua viabilidade, especialmente quando considerada sob uma ótica de curto prazo”, explica.

Entre as iniciativas apresentadas pelo diretor, está a revisão do modelo operacional, com vistas a ampliar a capacidade de transporte das composições. Nesse ponto, a empresa avalia a adoção de trens de maior extensão, em uma configuração que poderá elevar significativamente a capacidade atual, hoje, de aproximadamente 1,5 quilômetro de comprimento e 136 vagões, chegando a uma composição com o dobro desse potencial de carga.

Na avaliação do painelista, as condições naturais também foram apontadas como um dos fatores determinantes para o planejamento logístico. Na região amazônica, por exemplo, as oscilações no nível dos rios interferem diretamente no transporte de minério e impõem desafios à navegação. Portanto, a combinação entre planejamento, tecnologia e monitoramento é essencial para assegurar a continuidade das operações diante das variações nas condições de navegabilidade.

Potássio e segurança para o agronegócio

Para o presidente da Potássio do Brasil, Sérgio Costa Leite, a discussão sobre logística e competitividade está diretamente ligada a outro desafio estratégico do Brasil, a elevada dependência brasileira da importação de fertilizantes.

Durante o painel, o executivo detalhou o projeto Autazes, no Amazonas, desenvolvido pela empresa para a produção de cloreto de potássio. O empreendimento contempla a implantação de uma unidade destinada à produção de fertilizantes a partir das reservas de potássio existentes na região. Segundo ele, a dependência externa nesse segmento representa um fator de preocupação, já que o país figura entre as potências mundiais na produção de alimentos, mas ainda importa a maior parte dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio.

“Embora o Brasil seja uma potência na produção de alimentos e ocupe posição de liderança em segmentos como leite, café, suco e carne, há uma expressiva assimetria quando se considera o fornecimento de fertilizantes. O país importa entre 80% e 90% do volume necessário para atender à demanda interna e, no caso específico do potássio, essa dependência chega a 97%”, alerta.

O executivo também chamou a atenção para a concentração das fontes de abastecimento externo. Segundo ele, aproximadamente metade do potássio utilizado no Brasil é proveniente da Rússia, da Bielorrússia e de Israel, países inseridos em diferentes cenários de tensão e instabilidade geopolítica.” Essa concentração amplia a exposição do país a eventuais restrições de oferta e reforça a importância de diversificar as fontes de fornecimento e fortalecer a produção nacional do insumo’, salienta Sérgio Leite.

Após cerca de duas décadas de desenvolvimento, o projeto Autazes prevê a produção anual de 2,4 milhões de toneladas métricas de cloreto de potássio. Esse volume, segundo Leite, poderá reduzir em aproximadamente 20% a dependência brasileira das importações do produto. Para a empresa, o projeto é considerado estratégico para diversificar as fontes de abastecimento e fortalecer a segurança no fornecimento de um insumo essencial ao agronegócio brasileiro.

Sérgio Leite também ressaltou a relevância da criação do Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), destacando seu potencial para estimular investimentos, fortalecer a produção nacional e elevar a competitividade do setor. Para ele, a iniciativa representa um avanço importante para a construção de uma cadeia de fertilizantes mais robusta e menos dependente do mercado externo.

Competitividade depende de planejamento

Ao final, os painelistas manifestaram uma perspectiva favorável para os próximos dez anos, sem deixar de reconhecer que o fortalecimento da mineração brasileira dependerá da combinação entre investimentos, planejamento de longo prazo e maior articulação entre os diferentes agentes da cadeia mineral.

A ampliação do uso de hidrovias, a incorporação de novas tecnologias e o desenvolvimento de soluções logísticas capazes de integrar minas, ferrovias e portos foram apontados como caminhos para reduzir custos, elevar a eficiência e ampliar o acesso da produção brasileira aos mercados.

As discussões também evidenciaram a urgência em fortalecer a competitividade do setor diante das transformações do cenário internacional e de ampliar sua interlocução com a sociedade. Nesse processo, ganha relevância a compreensão sobre o papel estratégico da mineração para a economia brasileira e para cadeias essenciais ao desenvolvimento nacional, como a produção de alimentos.

Fonte: ibram.org.br

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