Minerais críticos na COP31: o que está em jogo para o setor e o Brasil

A conferência climática de 2026 coloca em discussão a segurança das cadeias de suprimento, a descarbonização industrial e a transformação mineral.

A COP31, prevista para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antalya, na Turquia, será um espaço para acompanhar a evolução das negociações climáticas e sua relação com a mineração. Cobre, lítio, níquel, grafita e terras raras são utilizados em tecnologias como baterias, redes elétricas, veículos elétricos e equipamentos de geração renovável. A demanda por esses materiais conecta a transição energética à segurança de abastecimento e à capacidade industrial dos países produtores.

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Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a concentração do refino de minerais energéticos permaneceu elevada em 2025. A participação média do principal país refinador, a China, chegou a 72% nos minerais analisados, excluídas as terras raras. O cenário reforça a importância de diversificar fornecedores e ampliar a capacidade de processamento. A conferência, porém, não garante a adoção de medidas específicas para o setor mineral: seus efeitos dependerão das decisões oficiais e dos compromissos assumidos pelos países.

O que são minerais críticos e qual é sua relação com a COP31?

Minerais críticos são recursos considerados essenciais para atividades econômicas e tecnológicas cujo abastecimento apresenta riscos relevantes. A classificação varia entre países e considera fatores como dependência externa, concentração da produção e do refino e importância industrial.

Na agenda climática, esses minerais são importantes porque viabilizam tecnologias de baixo carbono. O cobre é utilizado em redes elétricas; o lítio e a grafita participam da fabricação de baterias; e elementos de terras raras são empregadas em ímãs permanentes para motores elétricos e turbinas eólicas.

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A cadeia, entretanto, envolve desafios que vão além da extração. Beneficiamento, refino, transformação industrial e rastreabilidade influenciam a capacidade de fornecer materiais com as especificações exigidas pelos mercados.

Quais são as oportunidades para o Brasil?

O Radar Mineração publicou recentemente que o Brasil possui recursos de minerais como cobre, lítio, níquel, grafita e terras raras, com potencial para atender a diferentes cadeias industriais. O desafio brasileiro está em ampliar a participação nacional nas etapas de maior valor agregado, incluindo processamento, refino, desenvolvimento tecnológico e reciclagem.

A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, instituída pela Lei nº 15.506/2026, estabelece diretrizes para pesquisa, lavra, beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana. A implementação dela será relevante para avaliar a capacidade do país de converter recursos geológicos em produção industrial e competitividade.

Descarbonização e economia circular na mineração

A mineração fornece matérias-primas para tecnologias de baixo carbono, mas suas operações também geram emissões e consomem energia e água. A eletrificação de equipamentos, a eficiência energética e o uso de eletricidade de menor intensidade de carbono são algumas das alternativas para reduzir os impactos operacionais.

A economia circular também integra essa discussão. A recuperação de metais de baterias, equipamentos eletrônicos e resíduos industriais pode complementar a oferta de minerais primários. A contribuição depende da disponibilidade de materiais, da viabilidade técnica e dos custos de recuperação.

A rastreabilidade é outro fator relevante para empresas que fornecem matérias-primas a cadeias internacionais, pois permite documentar a origem dos materiais e as etapas de produção.

O que acompanhar após a COP31?

Para a mineração, os principais pontos de atenção são os resultados oficiais da conferência, as iniciativas de financiamento climático, os investimentos em processamento mineral e os critérios ambientais aplicados às cadeias globais. Também será importante observar como o Brasil implementará sua política de minerais críticos e estratégicos.

A oportunidade brasileira depende da combinação entre recursos geológicos, infraestrutura, tecnologia, financiamento e capacidade industrial. 

A COP31 oferece um contexto internacional para acompanhar essa agenda, mas a ampliação da participação do país nas cadeias de minerais críticos dependerá da execução de políticas e projetos concretos.

Fonte: Radar Mineração

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