O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, defendeu publicamente que o Brasil volte a desenvolver “megaprojetos” de mineração como uma estratégia central para elevar a produção mineral e impulsionar a economia do país. A declaração foi feita nesta terça-feira (18), durante o evento de lançamento do relatório “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, documento elaborado para ser apresentado aos candidatos à presidência da República.
De acordo com informações do site Agência Infra, o executivo destacou que o setor vive um período de ausência de empreendimentos de grande porte. “A gente precisa voltar à noção de megaprojeto no Brasil. O último grande projeto de mineração no Brasil foi o S11D, no Pará, que tem dez anos, e de lá pra cá não teve mais nenhum”, afirmou Pimenta.
A reportagem lembra que o complexo S11D, localizado em Canaã dos Carajás, é considerado um dos maiores empreendimentos de minério de ferro do mundo e o maior já realizado na história da mineradora, tendo sido projetado para atingir uma capacidade de produção de 90 milhões de toneladas por ano.

Apesar do hiato de uma década sem novos megaprojetos finalizados, a notícia aponta que a Vale estuda novas frentes para expandir suas operações. Um dos principais destaques citados pelo CEO é o projeto S11C, vizinho ao S11D, que possui potencial estimado de produção entre 30 milhões e 40 milhões de toneladas anuais. “O corpo [minerário] C, que seria o próximo na linha de desenvolviemnto nosso, é um que a gente está olhando, que também seria um projeto bastante relevante”, detalhou.
Outro projeto de grande porte mencionado pelo site é o Projeto Alemão, situado na região de Carajás. Voltado para a extração de cobre, o empreendimento será conduzido por meio da subsidiária Vale Metais Básicos (VBM). Para esta iniciativa, Pimenta estimou aportes substanciais: “A gente deve investir entre R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões”, afirmou.
O executivo defendeu ainda que os projetos de grande escala sejam tratados pelo poder público como iniciativas estratégicas de Estado. Em contrapartida, ressaltou o compromisso das mineradoras em adotar as melhores práticas operacionais e ambientais. “Aí, tem a nossa parte, que é fazer ele [o S11C] da forma mais moderna possível, menor uso do território, circularidade, menos uso da água, mais autônomos, com as compensações ambientais já incorporadas. Isso é importantíssimo para o país”, acrescentou.
Conforme a publicação, a Vale também tem direcionado a maior parte do seu capital para o segmento de minerais críticos — como níquel, cobre e o próprio minério de ferro de alta qualidade —, setor no qual considera ter uma posição “madura” e vantagens competitivas consolidadas.
A empresa revelou ainda que tem analisado oportunidades em outros ativos estratégicos para a transição energética global, a exemplo do lítio e das terras raras. “A companhia está sempre olhando outras oportunidades para ver se tem alguma outra commodity que faça sentido. Ela precisa, obviamente, responder a alguns critérios, mas esse é o nosso negócio, a mineração é o nosso negócio”, concluiu o presidente da Vale.










