Produção de alumínio cresce 8,5% e faturamento atinge R$ 168 bilhões em 2025

O setor conseguiu resultados positivos mesmo diante de um cenário, em 2025, marcado pelo agravamento das tensões comerciais, pelo rearranjo das cadeias globais de suprimento e pelo avanço da pressão importadora

A indústria nacional de alumínio primário alcançou resultados expressivos, conforme apontam dados do Anuário Estatístico de 2025 da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) divulgados pelo site Brasil Mineral. No último ano, a produção do metal somou 1,18 milhão de toneladas, registrando uma alta de 8,5% em comparação a 2024 e atingindo o maior patamar desde 2013. O faturamento do setor também cresceu, chegando a R$ 168 bilhões, enquanto os investimentos brutos somaram R$ 6,8 bilhões e a arrecadação de tributos bateu R$ 34,8 bilhões, superando barreiras globais como tensões comerciais e a pressão das importações.

De acordo com o site, o Brasil se consolida como uma potência global no segmento, ocupando a posição de 4º maior produtor mundial de bauxita, 3º de alumina e 9º de alumínio primário. Além disso, o país abastece 57% do seu consumo com alumínio reciclado, mais que o dobro da média do planeta. Para Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL ouvida pela reportagem, o grande desafio nacional não reside na falta de recursos ou de estrutura, mas sim na criação de políticas públicas e comerciais que garantam isonomia frente aos concorrentes externos e mantenham a geração de valor e de tecnologia dentro das fronteiras brasileiras.

O mercado de trabalho e a balança comercial também demonstraram força. O Brasil Mineral destaca que o setor do alumínio sustentou cerca de 508 mil empregos diretos e indiretos, encerrando o período com um superávit comercial de US$ 3,3 bilhões. No entanto, a reportagem acende um alerta sobre a perda de espaço dos produtos industrializados de maior valor agregado para concorrentes estrangeiros: enquanto o consumo doméstico geral de transformados caiu levemente (0,5%), as importações de manufaturados e semimanufaturados subiram 5,9%, abocanhando 12% do mercado interno, com forte destaque para a China, que respondeu por 26,9% desse volume importado.

Na análise dos mercados consumidores locais detalhada pelo site, o segmento de Eletricidade despontou como o grande destaque positivo ao crescer 10,2%, estimulado pelos investimentos em linhas de transmissão dos leilões da ANEEL. Em contrapartida, setores tradicionais sofreram retrações devido ao cenário de crédito restritivo e à perda de renda da população, incluindo Bens de Consumo (-6,6%) e Construção Civil (-3,4%). O setor de Transportes também recuou 0,8%, um dado considerado preocupante pela reportagem, uma vez que a expansão de veículos elétricos no país — que demandam mais alumínio — ainda depende amplamente de modelos importados com baixo conteúdo de fabricação nacional.

Por fim, a publicação do Brasil Mineral reforça que os recursos minerais, a capacidade de reciclagem e a energia de baixo carbono deixaram de ser apenas diferenciais comerciais para se tornarem ativos geopolíticos e estratégicos. O Brasil possui uma posição privilegiada e uma cadeia de produção integrada única no mundo, mas precisa agir estrategicamente. Janaina Donas conclui na reportagem que os fundamentos nacionais continuam sólidos, restando agora ao país estruturar as condições necessárias para converter tendências globais como a economia circular e a eletrificação em novos investimentos, empregos e inovação tecnológica.

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