A Mineração Taboca iniciou um novo ciclo de expansão operacional e modernização industrial com um plano de investimentos estimado em US$ 100 milhões para o período entre 2026 e 2028. A estratégia da companhia mira o fortalecimento da produção de minerais estratégicos, ampliação da capacidade operacional e avanço de iniciativas ligadas à sustentabilidade e inovação tecnológica, consolidando a empresa dentro do cenário da mineração brasileira e do mercado global de minerais críticos.
A maior parte dos investimentos será destinada à mina de Pitinga, no Amazonas, considerada a principal operação da empresa. Do montante anunciado, cerca de US$ 25 milhões serão aplicados em pesquisa mineral e exploração geológica, incluindo estudos de aprofundamento da cava atual, reaproveitamento de rejeitos dentro do conceito de economia circular e avaliação do potencial do alvo mineral Água Boa, tratado pela companhia como estratégico para futuras expansões.
Segundo o vice-presidente executivo da Taboca, José Flávio, o atual momento representa uma das fases mais relevantes da trajetória da mineradora. “Vivemos um cenário bastante positivo, mas o desafio é continuar evoluindo com responsabilidade, garantindo eficiência operacional, compromisso ambiental e geração de valor para a sociedade”, afirma.
Além da área de pesquisa, os recursos também serão direcionados à modernização da planta de beneficiamento de Pitinga e à estrutura metalúrgica da companhia. Aproximadamente US$ 20 milhões serão investidos em automação industrial e substituição de equipamentos, medida que deve elevar em cerca de 10% a produção e a recuperação de minério. Outros US$ 8 milhões serão destinados à ampliação da capacidade produtiva da metalurgia, enquanto US$ 35 milhões irão para a modernização da fundição mantida pela empresa em São Paulo.
A agenda ESG também ocupa espaço central dentro da estratégia corporativa. A companhia prevê investimentos de aproximadamente US$ 12 milhões em ações ligadas à melhoria das condições de trabalho, monitoramento ambiental e ampliação de projetos sociais nas regiões onde atua. Entre as iniciativas em avaliação estão a renovação da frota operacional e estudos voltados à automação e eletrificação de caminhões utilizados na mineração.
No campo tecnológico, a Taboca vem ampliando pesquisas voltadas ao aproveitamento de minerais considerados estratégicos para a indústria global, como nióbio e tântalo. A empresa também desenvolve estudos sobre o potencial econômico de elementos como zircônio e háfnio, utilizados em aplicações industriais e tecnológicas de alto valor agregado.
De acordo com José Flávio, a diversificação mineral e o investimento em inovação são fundamentais para ampliar a competitividade da companhia no mercado internacional. “Hoje não existe mineração viável sem responsabilidade ambiental e social. Na nossa região amazônica, isso não é uma escolha, é uma obrigação permanente”, destaca.
A companhia avalia que o atual cenário do mercado mineral favorece a expansão dos negócios, impulsionado principalmente pela valorização do estanho e pela crescente demanda internacional por ligas metálicas de nióbio e tântalo. Um dos diferenciais competitivos apontados pela direção está na rastreabilidade do tântalo produzido pela mineradora, aspecto considerado estratégico diante da crescente exigência internacional por cadeias produtivas ambientalmente responsáveis.
Segundo a empresa, esse fator fortalece a posição da Taboca frente à concorrência global, especialmente em relação ao mercado internacional de minerais oriundos de regiões que enfrentam questionamentos socioambientais.
Na área socioambiental, a companhia também tem ampliado parcerias institucionais. Entre os projetos destacados está a cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) voltada à preservação do peixe-boi amazônico, com ações de resgate, recuperação e reintrodução dos animais ao habitat natural, além de atividades de educação ambiental junto a comunidades locais.
Outro destaque é o viveiro de mudas nativas e frutíferas mantido pela empresa em Presidente Figueiredo (AM) desde 2006. Segundo a companhia, mais de um milhão de mudas já foram distribuídas a agricultores e moradores da região, contribuindo para ações de recuperação ambiental e fortalecimento da produção regional.
A Taboca também aposta na ampliação de oportunidades de trabalho a partir do avanço do plano de modernização. Atualmente, a companhia mantém cerca de 3 mil trabalhadores na unidade de Pitinga, entre empregados próprios e terceirizados, além de aproximadamente 500 colaboradores em São Paulo, onde estão localizados a fundição e o escritório administrativo da mineradora.
Com a execução dos novos projetos, a expectativa é gerar entre 600 e 900 vagas durante as etapas de obras e implantação das iniciativas previstas. Para José Flávio, a formação de mão de obra qualificada será decisiva para sustentar o crescimento do setor mineral nos próximos anos.
“A indústria mineral precisa se comunicar melhor e se tornar mais atrativa. Sem investimento em educação básica e técnica, não conseguiremos formar a mão de obra de que precisamos”, afirma o executivo.
Ao avaliar o futuro da mineração brasileira, especialmente na Região Norte, José Flávio demonstra otimismo em relação ao potencial geológico do país e à crescente demanda mundial por minerais críticos ligados à transição energética. Segundo ele, temas como automação industrial, inovação tecnológica, agregação de valor à produção mineral e fortalecimento das práticas ESG devem redefinir o setor nos próximos anos.
À frente da Taboca, o executivo afirma que a meta da companhia é consolidar sua posição como referência global em mineração sustentável e estratégica. “Mais do que resultados operacionais, nosso compromisso é fortalecer o legado social da empresa e contribuir para uma mineração cada vez mais responsável e sustentável”, conclui.










