Tambores, fé e identidade: 2º Tambozarço da Resistência emociona público em Canaã

Desta vez, a mobilização ganhou ainda mais força com o engajamento direto dos terreiros

O som dos tambores ecoou com força no Lago da Prefeitura, em Canaã dos Carajás, durante a realização da segunda edição do Tambozarço da Resistência. Mais do que um encontro, o evento se transformou em um verdadeiro ato de celebração da fé, da cultura e da identidade das religiões de matriz africana.

Desta vez, a mobilização ganhou ainda mais força com o engajamento direto dos terreiros, que se uniram para tornar o momento possível — refletindo união, compromisso e pertencimento.

O resultado foi um evento vibrante, que chamou a atenção de quem passava e aproximou o público de uma realidade ainda pouco compreendida por muitos.

Quando a arte encontra a fé

Entre os olhares curiosos e admirados, estava o jovem artista Rodrigo Lopes dos Reis, nascido em Canaã, que desenha desde os seus 6 anos de idade. Ele chegou ao evento por acaso, mas acabou sendo tocado pela estética e pela energia do momento.

Rodrigo Lopes, artista de 16 anos

“Eu não vim com a intenção de desenhar, mas achei tudo muito bonito. A música, o ritmo, as roupas… tudo me envolveu. Dá uma sensação de fazer parte”, contou.

Inspirado, Rodrigo começou a desenhar ali mesmo, registrando em traços a beleza que viu na roda — um encontro espontâneo entre arte e espiritualidade.

Olhares que se abrem para o respeito

Quem também parou para acompanhar foi o jornalista André Eleres, hoje atuando como gerente na área de logística. Para ele, o evento representa mais do que uma manifestação cultural.

“É um movimento importante. A gente percebe a fé, a entrega. É uma religião bonita, como qualquer outra, que precisa ser respeitada. Vale a pena parar e observar.”

André Eleres – Gerente de logística

A presença de pessoas externas ao movimento reforça um dos principais objetivos do Tambozaço: aproximar, informar e quebrar preconceitos.

Uma nova caminhada de fé

Entre os participantes, histórias de transformação também marcaram o evento. A jovem Valéria Yasmin, de 23 anos, soldadora, vive há um ano sua jornada no Tambor de Mina.

Jovem Valéria Yasmin: religião de amor

Ela conta que encontrou na religião um caminho de cura e acolhimento.

“É uma religião de amor. As pessoas procuram orientação, conselhos… e encontram. Eu mesma estava passando por momentos difíceis, e quando conheci, minha vida mudou completamente.”

Valéria descreve o ambiente como uma verdadeira família, onde o respeito e o cuidado são pilares fundamentais.

“É um lugar onde você se sente acolhida. A gente aprende, cresce e se fortalece.”

Resistência que honra o passado e constrói o futuro

Para Joyce Silva, conhecida como Mãe Joyce, líder da Casa de Rosa Caveira e moradora de Canaã há mais de duas décadas, o momento carrega um significado profundo.

Mãe Joyce, líder de Casa e moradora de Canaã

“É um momento de honrar nossos antepassados, que foram silenciados por muito tempo. Mas também é de mostrar que aqui é uma cidade de muitas culturas, de muitos povos.”

Ela reforça que o caminho para o respeito passa pelo conhecimento.

“Quando as pessoas se permitem conhecer, elas entendem que não existe esse medo que muitos têm. Existe muito preconceito enraizado, mas o que a gente pratica é o bem, o cuidado com o outro.”

Muito além do tambor

Com forte participação popular e uma energia contagiante, o 2º Tambozaço da Resistência reafirma o crescimento e a presença das religiões de matriz africana na cidade.

Mais do que um evento, o encontro se consolida como um espaço de conexão — entre pessoas, culturas e histórias — onde o som do tambor não apenas ecoa, mas também educa, acolhe e transforma.

Por Wagner Santos

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