Na aldeia Nova Jacundá, crianças e jovens do povo Guarani M’bya encontram na música e na dança uma forma de aprender, preservar e compartilhar saberes que fazem parte da vida de sua comunidade. Nesta quarta-feira (19), esse conhecimento que atravessa gerações pela oralidade do canto chega à Casa da Cultura de Canaã dos Carajás com a apresentação do Coral Mitã Mbaraeté, às 14h, com entrada gratuita.
A apresentação integra o Agosto Indígena e faz parte do projeto Memória Viva Guarani, selecionado pelo Edital Casa Aberta Amazônia Paraense 2026. Mais do que uma apresentação musical, a proposta convida o público a uma aproximação com a cultura Guarani M’bya a partir das próprias vozes de crianças e jovens indígenas, contribuindo para a salvaguarda do patrimônio imaterial.

No Coral Mitã Mbaraeté, cantar e dançar fazem parte de um processo de transmissão de conhecimentos. A composição do grupo se renova ao longo dos anos: à medida que alguns integrantes crescem e deixam o coral, crianças mais novas passam a fazer parte dele. Quem sai pode assumir outro papel nessa continuidade, tornando-se professor de canto e dança.
Para Valdo Guarani, esse movimento está profundamente ligado à espiritualidade e à própria maneira Guarani de compreender a cultura. “Para nós, Guarani, significa um aprendizado religioso, o poder espiritual ativo na nossa cultura”, explica Valdo. Segundo ele, o coral realiza apresentações em diferentes lugares, especialmente durante programações culturais no Pará, criando oportunidades de encontro entre a comunidade e diferentes públicos.
Cultura viva para além da aldeia
Ao levar o Coral Mitã Mbaraeté para Canaã dos Carajás, o projeto Memória Viva Guarani amplia os espaços de circulação da produção cultural indígena sem desvinculá-la de quem a produz e transmite. O canto em língua materna, a dança e a presença das novas gerações tornam-se também formas de afirmar identidade, memória e continuidade.
A apresentação integra o movimento da Casa da Cultura de ampliar a presença dos povos originários em sua programação e aproximar o público da diversidade de perspectivas que compõem a Amazônia.
“O mês de agosto marca internacionalmente a luta e resistência dos povos indígenas. A Casa da Cultura intensifica essa valorização incluindo em nossa programação as vozes dos povos originários, que nos trazem outras perspectivas para pensarmos nossa realidade enquanto sociedade”, afirma Gabriela Sobral Feitosa.
Gabriela destaca ainda que a apresentação nasceu de uma seleção pública voltada à produção cultural do estado. “A apresentação de canto e dança do Coral Mitã Mbaraeté foi selecionada pelo nosso edital Casa Aberta Amazônia Paraense e agora chega a Canaã com o intuito de ampliar repertórios culturais a partir da cultura dos povos indígenas. Dessa forma, estamos construindo um processo de cocriação entre equipamentos e quem faz e produz a cultura dia a dia.”
O projeto também garante as condições de deslocamento e infraestrutura necessárias para que o grupo saia da aldeia Nova Jacundá e ocupe outros espaços com sua arte. Nesse percurso, o público é convidado não apenas a assistir a uma apresentação, mas a conhecer uma cultura viva a partir de quem a mantém e a reinventa entre gerações.
Serviço
Agosto Indígena – Projeto Memória Viva Guarani
Apresentação: Coral Mitã Mbaraeté, da aldeia Nova Jacundá
Data: 19 de agosto de 2026
Horário: 14h
Local: Casa da Cultura de Canaã dos Carajás – Rua das Esmeraldas, 141, Nova Canaã II
Público: Livre
Entrada: Gratuita
Informações: (94) 99220-3451
Fonte: Comunicação CCCC







