Parauapebas poderá viver, a partir de 2027, um dos maiores ciclos de obras de infraestrutura dos últimos anos. A avaliação é do secretário municipal de Obras, Roginaldo Rocha, que, em entrevista exclusiva concedida nesta terça-feira ao radialista Demerval Moreno, apresentou um balanço dos primeiros 18 meses à frente da Secretaria Municipal de Obras (Semob) e antecipou projetos que poderão transformar diferentes regiões do município em grandes frentes de trabalho.

Roginaldo explicou que, ao assumir a pasta, encontrou uma estrutura com grande quantidade de projetos paralisados, documentação incompleta e processos que precisavam ser reorganizados. Segundo ele, diferentes frentes que antes eram conduzidas por estruturas distintas da administração acabaram concentradas na Semob, que precisou assumir a responsabilidade e reconstruir uma base documental e técnica capaz de permitir a retomada dos projetos.
O secretário afirmou que esse processo exigiu tempo e ocorreu em meio a fortes cobranças públicas. “Realmente foram muitos ataques. Houve momentos em que pensei que não fosse conseguir suportar”, afirmou Roginaldo, ao falar sobre a pressão enfrentada durante o período.
Segundo ele, o apoio do prefeito Aurélio Goiano foi fundamental para que a equipe pudesse avançar na reorganização da Secretaria.
Apesar das dificuldades, o secretário avalia que o município começa a entrar em uma nova etapa. Um dos principais exemplos está nos processos de licitação para intervenções em Cidade Jardim, Nova Carajás e Parque Carajás. De acordo com Roginaldo, o processo está na fase recursal e os três projetos somam aproximadamente R$ 112 milhões.
Também estão avançando projetos para a região da VS-10, envolvendo Jardim América, Parque das Nações, Jardim Planalto e Morada Nova. O problema, segundo ele, é que a conclusão das licitações não significa que as obras possam necessariamente começar imediatamente. A atual dificuldade orçamentária do município exige planejamento para 2027.
A Secretaria de Obras já está discutindo o cenário com a Secretaria de Fazenda e apresentando as necessidades ao prefeito para que os recursos sejam previstos no próximo exercício. É justamente nesse contexto que Roginaldo projeta a possibilidade de um grande ciclo de obras em 2027. “Podemos vislumbrar, no horizonte de seis ou sete meses, um canteiro de obras nessa cidade”, afirmou.
Vale pode ampliar parceria com Parauapebas
Um dos elementos considerados decisivos para esse cenário é a parceria entre a Prefeitura de Parauapebas e a Vale. Em setembro de 2025, o município firmou um termo de cooperação com a empresa, envolvendo investimentos de R$ 100 milhões em áreas estratégicas. (Portal Debate)
Agora, segundo Roginaldo, o prefeito Aurélio Goiano vem trabalhando para viabilizar um novo termo de cooperação para os exercícios de 2027 e 2028. Os projetos de infraestrutura que poderão receber recursos já foram encaminhados para avaliação técnica da Vale.
Para o secretário, a parceria também representa uma segurança adicional na execução das obras, uma vez que a engenharia da empresa acompanha os projetos e participa do processo de fiscalização.
Roginaldo destacou ainda que, apesar de eventuais divergências políticas observadas em outros momentos entre a Prefeitura e a mineradora, a relação técnica entre a Semob e a Vale tem sido positiva.
PA-160 entra no planejamento
Entre os projetos de maior impacto está a recuperação da PA-160. A proposta envolve o trecho entre o entroncamento da PA-275 com a PA-160 até o cruzamento com a Faruk Salem, nas proximidades do cemitério.
Segundo Roginaldo, o prefeito Aurélio Goiano vem se movimentando para construir uma parceria envolvendo Prefeitura, Vale e Governo do Estado. As tratativas, de acordo com o secretário, estão bem encaminhadas com as duas instituições. Os estudos técnicos já começaram e a proposta discutida é utilizar pavimento de concreto, buscando maior durabilidade para uma via submetida a intenso fluxo de veículos.
E a PA-160 poderá receber ainda outra intervenção de grande impacto. A duplicação da rodovia, no trecho entre o Hipersena e a rotatória do quartel da Polícia Militar, também está entre os projetos apresentados pela administração municipal e que poderão integrar o grande ciclo de obras previsto para 2027.
Obras paralisadas começam a ser retomadas
Durante a entrevista, Roginaldo destacou que parte importante do trabalho realizado pela Semob está justamente na retomada de obras que estavam paralisadas. Um dos exemplos é a UBS do Alto Bonito, que, segundo o secretário, estava paralisada havia aproximadamente 13 anos e voltou a receber serviços.
Também estão em andamento projetos de unidades de saúde, incluindo a UBS Porte V da VS-10, cuja obra foi viabilizada pelo Novo PAC e terá capacidade para atender aproximadamente 20 mil pessoas. Outra unidade de cinco portas deverá ser iniciada em Nova Carajás.
Na área de reabilitação, o Centro Ortopédico, na região do Cidade Jardim, já ultrapassou 60% de execução, conforme informado pelo secretário. A administração também trabalha para avançar na licitação do Centro de Reabilitação e da Oficina Ortopédica.
A obra de pavimentação e drenagem do Montes Claros, iniciada em 2023, também foi retomada e tem previsão de conclusão para meados de 2027.
A infraestrutura rural representa outro enorme desafio para a administração. Segundo Roginaldo, Parauapebas possui aproximadamente 4,5 mil quilômetros de estradas vicinais, sendo uma parcela significativa inserida em áreas que demandam manutenção permanente.
Para organizar a execução dos serviços, a Semob dividiu a área em 14 lotes. A estratégia pretende ampliar a participação de empresas nos processos licitatórios, facilitar a fiscalização e permitir maior eficiência na execução dos serviços. Atualmente, três frentes trabalham na zona rural, mas a intenção é ampliar a capacidade de atendimento durante o período de estiagem.
O objetivo é chegar ao início do período chuvoso com o maior número possível de vias recuperadas. Uma novidade apresentada pelo secretário é a ampliação do trabalho para além das próprias estradas vicinais.
A Semob começou a estruturar um programa para recuperar também os ramais que ligam as vicinais às propriedades rurais. A ideia é permitir que o produtor consiga sair de sua propriedade, chegar à vicinal e transportar sua produção até a cidade.
O programa também deverá melhorar o acesso de estudantes às escolas e a circulação das famílias que vivem na zona rural. Roginaldo destacou ainda a importância da drenagem para evitar que as estradas sejam destruídas durante o período chuvoso.
Segundo ele, a Semob já executa serviços de drenagem em trechos da zona rural justamente para reduzir os problemas provocados pelas fortes chuvas. A lógica é simples: recuperar apenas o pavimento, sem resolver o problema da água, significa correr o risco de perder novamente o serviço pouco tempo depois.
Na área urbana, o problema também é grave. O secretário apontou que o excesso de água e esgoto correndo a céu aberto contribui diretamente para a deterioração do pavimento.
Oito meses sem manutenção agravaram situação das ruas
Outro ponto abordado foi a manutenção das vias urbanas. Segundo Roginaldo, o município passou aproximadamente oito meses sem nenhum tipo de manutenção das vias, o que agravou consideravelmente a situação do pavimento. Atualmente, diferentes equipes atuam em áreas como Cidade Jardim, VS-10, União, entorno do Hospital Geral de Parauapebas e Nova Carajás.
Questionado sobre a possibilidade de Parauapebas adquirir uma usina própria de asfalto, Roginaldo apresentou uma avaliação técnica contrária à ideia, pelo menos nas atuais condições. Para o secretário, uma usina pode parecer uma solução simples e econômica, mas a realidade envolve uma cadeia de custos.
Seria necessário contratar mão de obra especializada, técnicos, manutenção, transporte, logística e outros serviços. Na avaliação dele, quando todos esses fatores são colocados na ponta do lápis, a aquisição de uma usina não necessariamente representa economia para um município do porte de Parauapebas.
Ao final da entrevista, Roginaldo reforçou que o trabalho da Semob não se resume à execução de grandes obras. Depois de pavimentar, construir e recuperar, existe a necessidade permanente de manutenção. Por isso, o desafio é estruturar uma política de infraestrutura que permita ao município avançar na recuperação do passivo sem deixar de cuidar daquilo que já foi entregue.
O cenário apresentado pelo secretário aponta para uma divisão clara entre os próximos anos: 2026 como período de reorganização, licitação, planejamento e busca de recursos; e 2027 como possibilidade de execução de um grande conjunto de obras.
Se os processos licitatórios forem concluídos, os recursos forem assegurados e as parcerias previstas com a Vale e o Governo do Estado forem efetivadas, Parauapebas poderá ter, simultaneamente, obras em Cidade Jardim, Nova Carajás, Parque Carajás, VS-10, Montes Claros, zona rural e na PA-160, além de novos investimentos em drenagem, pavimentação e saúde.
Redação do CKS Online.







