Canaã recebe 2ª edição do Tambozarço da Resistência em celebração à cultura de matriz africana

Evento promovido pelo Coletivo Juventudes Pela Revolução busca valorizar os terreiros e fortalecer a diversidade cultural e religiosa no município

Dia 18 de abril, a partir das 16h30, o Coletivo Juventudes Pela Revolução, no Lago da Prefeitura de Canaã, realiza a 2ª edição do “Tambozarço da Resistência: A energia que vem dos terreiros”.

“A ação serve para promover visibilidade a pessoas de religiões de matriz africana/afro-brasileira” afirma Ray Maciel, membro da pasta “Diversidade, Igualdade e Inclusão”, que compõe o corpo do coletivo. “A ideia de fazer um evento público vem de povos que cansaram de esconder suas origens e para mostrar que existimos” afirma a trancista, que vive na cidade há 20 anos.

O Juventudes pela Revolução atua no município desde janeiro de 2024, fundado pelo Assistente Social Matheus Rodolfo e com várias pautas sociais, sendo uma delas o combate à intolerância/racismo religioso e estigma contra povos tradicionais de terreiro. “A nossa coordenação de “Diversidade, Igualdade e Inclusão” é uma das pastas de defesa dos direitos da população LGTBQIA+ e das religiões de matriz africana” afirma Ray .

A ação busca reunir todos que são do axé e também quem têm respeito pela diversidade religiosa. Mãe Michele Rodrigues fala da experiência da 1ª edição “Maravilhosa!!! Eu já tenho costume com a população, pois em Belém é normal” ela ainda afirma “então por ser o primeiro foi perfeito” e também deixa um recado “expectativa está a mil; sei que vai ser melhor que a outra”.

Nesta edição, a novidade está na arrecadação de alimentos e roupas que o coletivo direcionará para doações à famílias em situação de rua e vulnerabilidade social, reforçando o compromisso do coletivo e das religiões de matriz africana com a caridade e amor ao próximo. Assim, o coletivo convida a sociedade de Canaã a doar e contribuir.

Canaã foi fundada por cristãos, herança que leva em seu nome, que na bíblia é a tão buscada “terra prometida que emana leite e mel”, mas, esse título parece não ser para todos, quando nem nos palanques políticos estão livres de racismo religioso. Assim, “trabalhar com órgãos públicos e a sociedade para desconstruir ideias errôneas sobre religiões de matriz africana,” afirma Mãe Karina Silva.

Segundo o pai de santo Dhonata Freitas, os terreiros de Umbanda exercem um papel fundamental nas cidades, indo além da dimensão religiosa e atuando como espaços de acolhimento, assistência social e valorização cultural. Ele destaca que a prática da caridade, base da Umbanda, se manifesta no atendimento espiritual gratuito, no suporte emocional e em ações sociais voltadas a pessoas em situação de vulnerabilidade. Além disso, os terreiros também se configuram como ambientes de inclusão para populações marginalizadas, como pessoas negras, mulheres e a comunidade LGBTQIA+, promovendo pertencimento e resistência. Outro ponto ressaltado é a preservação da cultura afro-brasileira, por meio de saberes ancestrais, práticas tradicionais e educação sobre a história e a identidade negra, contribuindo ainda para o fortalecimento comunitário e o cuidado com o meio ambiente.

Ao abordar o preconceito contra as religiões de matriz africana, pai Dhonata ressalta que o caminho para o respeito passa pelo diálogo, pela informação e pela empatia. Segundo ele, a intolerância muitas vezes nasce da desinformação, o que torna fundamental explicar os princípios da Umbanda e do Candomblé, baseados na caridade, na conexão com a natureza e na promoção do bem-estar. Ele também destaca a importância de desmistificar elementos como a figura de Exu e reforçar que essas religiões carregam uma história de resistência e preservação cultural dos povos africanos. Para Dhonatan, é essencial promover uma escuta aberta, agir com respeito às diferentes crenças e evidenciar o papel social dos terreiros como espaços de acolhimento, inclusão e cuidado comunitário, além de lembrar que a intolerância religiosa é crime e deve ser combatida.

Ao destacar o simbolismo do Tambozarço da Resistência, Dhonata enfatiza que a proposta do encontro vai além da celebração cultural, sendo também um espaço de acolhimento, conexão espiritual e fortalecimento comunitário. Segundo ele, o som do tambor representa o batimento do coração coletivo, estabelecendo uma ponte entre o presente e a ancestralidade, onde memória, resistência e fé se encontram. Nesse contexto, o evento se firma como um ambiente seguro e aberto, que convida à união, ao respeito e à vivência do axé, valorizando a presença dos ancestrais e reforçando a importância dos terreiros como espaços de cuidado, pertencimento e continuidade das tradições afro-brasileiras.

A mãe de santo Michele destaca que o respeito e a igualdade devem ser valores centrais para a população de Canaã dos Carajás. Ela reforça a necessidade de combater o preconceito contra as religiões de matriz africana, afirmando que seus praticantes são pessoas de fé, ligadas à natureza, aos ancestrais e ao sagrado, e não ao mal como muitos ainda acreditam.

Por Juh Lima/Assessoria.

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