Dois escândalos bilionários que envolvem operadores financeiros, espionagem, coação de testemunhas e corrupção sistêmica de agentes políticos compartilham o mesmo epicentro: Belo Horizonte. A operação Rejeito, que investiga a cooptação de órgãos ambientais para a exploração ilegal de minério de ferro em áreas protegidas — como a Serra do Curral, na zona Sul da capital mineira —, e a operação Compliance Zero, que apura um megaesquema fraudulento envolvendo o Banco Master, possuem ramificações que vão muito além da proximidade geográfica. As informações foram publicadas originalmente pelo site O Tempo.
De acordo com a matéria, é importante ressaltar que nem o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, nem Fabiano Zettel, apontado pelos investigadores como um dos principais operadores financeiros do banqueiro, foram alvo de medidas cautelares no âmbito da operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em setembro do ano passado. No entanto, o portal O Tempo destaca que ambos aparecem ligados à mineradora Tamisa. A empresa é uma das quatro apontadas pelas autoridades como integrantes de um conluio para explorar ilegalmente o minério de ferro na Serra do Curral, ao lado da Empabra, da Gute Sicht e da Fleurs Global.
A reportagem detalha as conexões societárias e financeiras do grupo. Até setembro de 2025, o controle da Tamisa pertencia ao Victoria Falls, um Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP) controlado pelo Banco Master. Além disso, a gestão da carteira de investimentos do Victoria Falls ficava a cargo da Smart Agro Investimentos, empresa comandada por diretores da Reag Investimentos. Conforme as apurações sobre o Banco Master mencionadas na notícia, a Reag era um dos fundos utilizados para inflar de maneira artificial o patrimônio do banco e desviar recursos. Outro sócio da Tamisa era a WJ Consultoria, administrada pelo advogado Fabiano Zettel, que também é pastor e cunhado de Daniel Vorcaro. Atualmente, os processos da operação Rejeito tramitam sob segredo de Justiça na 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte. Devido à menção de autoridades com foro privilegiado, parte das investigações chegou a ser enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o ministro Dias Toffoli determinou o retorno do caso à primeira instância.
O site O Tempo teve acesso exclusivo ao documento de 44 páginas no qual a Polícia Federal solicitou à Justiça Federal a autorização para deflagrar a segunda fase da operação Rejeito — que resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão. Na peça jurídica, a PF chama a atenção para a semelhança nos métodos de espionagem e intimidação empregados tanto no caso Master quanto no esquema da Rejeito.
Segundo o texto da corporação reproduzido pela notícia, “a questão analisada na representação guarda similaridade com a decisão proferida pelo ministro André Mendonça (STF) no caso Master, onde também é tratado o acesso a sistemas restritos de órgãos públicos”.
Os investigadores constataram que os envolvidos na operação Rejeito também estruturaram um serviço paralelo de inteligência para monitorar e espionar clandestinamente os alvos do grupo. A matéria revela, inclusive, trechos de mensagens interceptadas que expõem a negociação de uma falsa blitz policial pelo valor de R$ 8 mil. O objetivo da ação, que contaria com a conivência de policiais civis e militares corruptos, era intimidar uma das testemunhas-chave do esquema de mineração ilegal.











