O conselheiro Marcelo Gasparino da Silva comunicou, em 27 de julho, sua renúncia aos cargos de membro e vice-presidente do Conselho de Administração da Vale, com efeitos a partir de 1º de agosto de 2026. O anúncio ocorre após o colegiado da mineradora deliberar, no dia 22 de julho, pela aplicação da sanção de destituição do executivo, motivada pelo vazamento de informações confidenciais relativas a uma reunião realizada em 19 de junho.
A punição foi fundamentada em uma investigação conduzida por um escritório externo independente, contratado para apurar o vazamento de dados sigilosos e relatórios de avaliações de negócios. O relatório final confirmou a autoria e classificou o ato como desvio grave, com base na Política de Gestão de Desvios de Conduta da empresa, acompanhando pareceres do Comitê de Auditoria e Riscos (CARE) e da Diretoria de Auditoria e Conformidade.
Diante do desdobramento, o Conselho de Administração da Vale informou que avaliará as providências necessárias nos próximos dias, com o apoio do Comitê de Indicação e Governança, para dar o encaminhamento adequado ao caso conforme o Estatuto Social e a legislação aplicável. Como a destituição definitiva de um membro eleito depende de aprovação dos acionistas, o processo previa a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), cujos procedimentos agora serão reavaliados.
Antes do pedido de renúncia, o Conselho já havia aprovado o afastamento imediato de Gasparino de suas funções no Comitê de Indicação e Governança e no Comitê de Pessoas e Remuneração. A sanção administrativa havia sido anunciada no mesmo dia em que o executivo disputou e perdeu a eleição para a presidência do Conselho para Manuel “Ollie” Oliveira, candidato apoiado pela Previ, obtendo cerca de um quarto do capital votante.
O pivô da crise interna esteve associado às disputas de poder na alta administração da companhia. Na reunião de 19 de junho, Gasparino figurou como um dos principais opositores ao movimento do fundo de pensão ao defender a permanência do então presidente Daniel Stieler. O vazamento de trechos do voto em separado do conselheiro, que citavam alertas sobre fatos internos e discussões estratégicas, gerou forte indisposição entre conselheiros e acionistas institucionais.
Procurado para comentar a deliberação do Conselho de Administração e as acusações de vazamento de dados estratégicos antes da formalização de sua renúncia, Marcelo Gasparino informou que não se manifestaria sobre o caso. A Vale reiterou que manterá o mercado oportunamente informado sobre os próximos passos da governança corporativa.











