PF indicia diretor-geral da ANM em caso de mineração ilegal em MG

Ação está ligada a outra ofensiva policial no setor, a Operação Rejeito, que resultou na prisão, no ano passado, de Caio Trivellato Seabra Filho — outro então diretor da ANM

A PF (Polícia Federal) pediu o indiciamento do diretor-geral da ANM (Agência Nacional de Mineração), Mauro Henrique Sousa, em uma investigação que apura atividades de mineração sem licença ambiental. De acordo com informações publicadas pelo site Agência Infra, o relatório da PF aponta o favorecimento de um empresário do setor, supostamente envolvido na atividade ilegal, por meio da interceptação de ligações e mensagens trocadas com o dirigente da autarquia.

O inquérito policial foi instaurado para apurar irregularidades na Mina Granja Corumi, em Belo Horizonte (MG). A reportagem detalha que o pedido de indiciamento foi apresentado pela representação regional da PF em Minas Gerais durante a deflagração da Operação Parcours. Esta ação está ligada a outra ofensiva policial no setor, a Operação Rejeito, que resultou na prisão, no ano passado, de Caio Trivellato Seabra Filho — outro então diretor da ANM que permanece afastado do cargo.

Desta vez, a PF indica no relatório mais recente que reuniu elementos técnicos, documentos e indícios de provas. Segundo a matéria, as evidências incluem a troca de mensagens telemáticas entre os supostos envolvidos, apontando para uma atuação controversa do agente público no âmbito da administração federal.

Na prática, grupos econômicos teriam usado o acesso facilitado ao dirigente da ANM para deixar de executar adequadamente condicionantes ambientais. A notícia revela que eles aproveitavam a matéria-prima de erosões e assoreamentos para relatar falsas situações de emergência, com o intuito de obter autorizações pontuais para remover e comercializar o minério.

Ao propor o indiciamento, a PF relata que houve uma aproximação indevida do diretor-geral com o empresário Luis Fernando Franceschini da Rosa, dono das empresas Empabra e Green Metals. Conforme apurado pelo site, a suposta atuação de Sousa para favorecer o grupo ocorreu em processos que envolvem o PFM (Plano de Fechamento de Mina). No relatório, os investigadores apontam que localizaram diversas mensagens e mais de 60 ligações entre o diretor-geral e o empresário no período entre novembro de 2023 e março de 2025.

Outro lado

Em nota enviada à Agência Infra, a ANM informou que Sousa, que se encontra em viagem ao exterior, “não tem conhecimento do suposto indiciamento mencionado e, portanto, não irá se manifestar sobre o tema neste momento”. Questionada pela reportagem, a agência também informou que não foi comunicada oficialmente sobre o relatório final da investigação.

“A agência acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar as informações que forem solicitadas no âmbito das investigações”, destaca o posicionamento. Por fim, a autarquia reforçou que “atua no exercício de suas competências legais” e regulatórias, adotando as “medidas cabíveis” sempre que demandada formalmente ou diante de situações que exijam providências.

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