Reportagem publicada pelo movimento Um Só Planeta no site do O Globo, aborda o desafio da transição econômica em regiões altamente dependentes da mineração, como Parauapebas, no Pará. O movimento une jornalistas e marcas pelo futuro do planeta. A matéria destaca que o planejamento para o fechamento de uma mina de minério de ferro deve começar anos antes do encerramento efetivo das operações, focando na criação de um valor perene que transcenda o ciclo da extração mineral. A cidade de Parauapebas, no sudeste do Pará, exemplifica a situação, com um Produto Interno Bruto (PIB) per capita significativamente alto devido à presença da Vale na Floresta Nacional de Carajás, a maior província mineral do mundo.
Clique aqui e leia a matéria completa
A Vale, operadora da principal jazida de minério de ferro em Carajás desde 1985, ocupa diretamente cerca de 3% da área sob sua jurisdição para extração. Contudo, em resposta à crescente pressão por responsabilidade social e ambiental, a empresa tem investido em projetos robustos de recuperação e proteção. O conceito de “fechamento de mina” evoluiu, abrangendo não apenas a recuperação visual e técnica do terreno, mas também planos de longo prazo para a recomposição de ecossistemas e a busca por novas vocações econômicas para a região.
O cerne da iniciativa em Parauapebas para superar o desafio do pós-mineração é a diversificação da economia local e a promoção da sustentabilidade por meio do reflorestamento e dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). A Vale mantém em Parauapebas o Viveiro Florestal de Carajás, com capacidade de produzir 250 mil mudas por ano de espécies nativas da Amazônia, destinadas à recuperação das áreas mineradas. Em 2020, o Fundo Vale investiu na criação da Belterra Agroflorestas, uma empresa focada em disseminar SAFs, especialmente em polos cacaueiros, com o objetivo de restaurar 100 mil hectares e proteger 400 mil hectares de áreas florestais até 2030, além das fronteiras da empresa.

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são a grande aposta para o desenvolvimento de uma economia resiliente na região. O projeto da Belterra em Parauapebas, com seis anos de existência, usa o cacau consorciado com espécies de ciclo curto (como mandioca, milho e abóbora) para gerar renda imediata aos produtores, enquanto espécies florestais garantem o sombreamento e a saúde do solo a longo prazo. A meta é ambiciosa: produzir 60 mil toneladas de cacau na região nos próximos sete anos, o equivalente à produção atual total do Pará, gerando milhares de empregos rurais diretos e ao longo da cadeia logística.
Além dos SAFs, a Vale, por meio do Fundo e da Fundação Vale, destina recursos para apoiar diversos projetos produtivos que fortalecem a agricultura familiar e a autonomia comunitária. Em Parauapebas, são apoiadas cadeias como piscicultura, horticultura e bovinocultura, com destaque para a apicultura meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão), como o projeto da Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA), que combina produção de mel com o importante serviço de polinização.
Outras iniciativas visam a geração de renda e a valorização da cultura local, como a loja Preciosidades da Amazônia, de biojoias, e a cooperativa Mulheres de Barro, que produz artesanato e louças de cerâmica inspirados em achados arqueológicos da Serra dos Carajás. Essas ações buscam, em coordenação com o poder público, desenvolver uma base econômica sólida e diversificada que possa sustentar o crescimento de Parauapebas e garantir a permanência das comunidades após o inevitável fim do ciclo da mineração.







