Belo Sun avança em conciliação e projeta capacitação de mão de obra para o Projeto de ouro Volta Grande, no Pará

UNAI terá 30 dias úteis para indicar, com base em critérios estritamente técnicos, novas comunidades a serem incluídas em estudos complementares, abrindo o mesmo prazo subsequente para a resposta da Belo Sun

A Belo Sun Mining Corporation apresentou uma atualização sobre o desenvolvimento do Projeto de Ouro Volta Grande, localizado em Senador José Porfírio, no Pará. De acordo com informações publicadas pelo site Brasil Mineral, a mineradora tem demonstrado otimismo com os desdobramentos institucionais recentes.

“Estamos muito satisfeitos com a natureza construtiva do recente processo de conciliação e com a oportunidade que ele criou para que todas as principais partes interessadas se reunissem e trabalhassem em busca de um caminho prático para o futuro”, afirmou Clovis Torres, presidente do Conselho e Diretor Executivo da Belo Sun, em declaração reproduzida pela publicação.

A matéria detalha que a companhia segue avançando na estruturação do projeto, com foco no fortalecimento de sua equipe de gestão. Nos últimos meses, a empresa contratou profissionais estratégicos para as áreas técnica, de compras e de gestão ambiental e social, além de manter o recrutamento para cargos de alta liderança que vão conduzir a fase de construção.

No campo da engenharia, a Belo Sun contratou a G Mining Services para realizar uma Análise de Lacunas Técnicas (TGA), cuja conclusão está prevista para o terceiro trimestre de 2026. Segundo a reportagem, a finalidade da TGA é identificar quais pontos dos estudos técnicos de 2015 precisam ser revisados. A partir disso, será estabelecido o escopo e o cronograma para atualizar o Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS).

O histórico jurídico do empreendimento também foi abordado pelo Brasil Mineral. Em 13 de fevereiro de 2026, uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) restabeleceu a validade da Licença de Instalação (LI) da mineradora. O Tribunal constatou o cumprimento dos requisitos de consulta pública e determinou que qualquer ampliação desse escopo por parte da FUNAI exigiria justificativa técnica formal.

Como desdobramento, o TRF-1 convocou uma audiência de conciliação realizada em 24 de junho de 2026. O encontro interinstitucional contou com a presença de representantes da própria Belo Sun, além de lideranças de comunidades indígenas, técnicos da FUNAI, membros do Ministério Público Federal (MPF), representantes do Estado do Pará e outras partes interessadas.

Conforme apurado pela matéria, a reunião resultou em um acordo para a criação de um quadro processual. Nele, a FUNAI terá 30 dias úteis para indicar, com base em critérios estritamente técnicos, novas comunidades a serem incluídas em estudos complementares, abrindo o mesmo prazo subsequente para a resposta da Belo Sun. Durante esse período de 60 dias, haverá duas reuniões técnicas e, ao final, uma nova audiência. A FUNAI concordou em manter a LI ativa no período, enquanto a empresa se comprometeu a não realizar obras civis de construção durante o prazo estipulado.

O MPF manteve sua oposição à estrutura da licença e à retirada de pauta de um recurso interlocutório correlato. O andamento processual aguarda agora a definição do Ministro Flávio Jardim, que decidirá os próximos passos do caso.

De forma paralela às tratativas jurídicas, a mineradora estruturou o Programa de Educação e Capacitação da Força de Trabalho Local, alinhado às exigências da Licença Ambiental 3698/2026. A publicação sinaliza que o início dos treinamentos está previsto para o segundo semestre de 2026. O planejamento da fase de construção prevê a demanda por aproximadamente 1.700 postos de trabalho, e a meta da empresa é preencher a maioria dessas vagas com mão de obra local.

Para viabilizar esse objetivo, o projeto pedagógico foi estruturado em torno de quatro pilares essenciais. O planejamento abrange desde a inclusão da força de trabalho e preparação para o emprego até a qualificação específica para a fase de construção e operações. Além disso, o programa foca no desenvolvimento local e no fortalecimento institucional e territorial da região impactada.

Segundo a reportagem, os cursos serão ministrados na cidade de Altamira, no Pará, por meio de parcerias com entidades de presença local consolidada. A lista de instituições parceiras inclui a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). As reuniões iniciais entre a diretoria da Belo Sun e as lideranças dessas organizações já foram realizadas para consolidar as diretrizes de execução do programa de treinamento.

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