Imagem: REUTERS/Yusuf Ahmad/File Photo
A Vale divulgou os seus resultados financeiros e operacionais do segundo trimestre de 2026 (2T26) na última quinta-feira (30). A mineradora atingiu recordes operacionais de produção em minério de ferro e metais para a transição energética, mas encerrou o período com um lucro líquido de US$ 1,375 bilhão (cerca de R$ 7,0 bilhões) — montante 35% inferior aos US$ 2,117 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano anterior e abaixo do consenso de mercado da LSEG (US$ 1,84 bilhão).
No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, o lucro líquido somou US$ 3,268 bilhões (aproximadamente R$ 16,7 bilhões), acumulando uma retração de 6,9% em relação ao primeiro semestre de 2025.
Segundo o relatório da companhia, o resultado do trimestre foi impactado principalmente pela variação negativa na marcação a mercado de derivativos, por maiores despesas tributárias atreladas a efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais em subsidiárias e pela elevação de custos de frete marítimo (bunker).
Apesar da queda no lucro líquido, o desempenho operacional e comercial trouxe números positivos. A receita líquida de vendas atingiu US$ 10,5 bilhões no trimestre — em linha com as projeções do mercado —, acumulando US$ 19,756 bilhões no semestre, uma expansão de 16,7% sobre a primeira metade de 2025. O avanço da receita foi ancorado no aumento do volume de vendas e na valorização dos preços de referência das commodities.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado atingiu US$ 3,67 bilhões no 2T26, alta anual de 9%. Na métrica Proforma — que exclui despesas extraordinárias com os acordos de Brumadinho e descaracterização de barragens —, o EBITDA somou US$ 4,06 bilhões, salto de 19% frente ao 2T25, com margem mantida em sólidos 39%.
A geração de Fluxo de Caixa Livre alcançou US$ 1,505 bilhão no trimestre (crescimento anual de 49%), refletindo a maior eficiência operacional e o menor pagamento de impostos. A dívida líquida expandida encerrou junho em US$ 16,677 bilhões, com queda de 4% no ano.
Recordes de produção e o avanço dos projetos no Pará
No campo da lavra e do beneficiamento, o trimestre foi marcado por importantes marcos de produção. Em nota, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, destacou o desempenho dos principais ativos estratégicos. “Entregamos resultados sólidos na comparação anual em todos os negócios, com o minério de ferro atingindo sua maior produção para um segundo trimestre desde 2018 e o cobre seu melhor segundo trimestre em nove anos. Nossa forte geração de EBITDA e fluxo de caixa demonstra a força e a resiliência da Vale em um ambiente global dinâmico.”
No Pará, o projeto Serra Sul +20 (expansão do Complexo S11D, em Canaã dos Carajás) atingiu 88% de conclusão física e iniciou suas operações em julho. O empreendimento adicionará 20 milhões de toneladas anuais à capacidade produtiva de minério de alto teor da mineradora. No segmento de cobre, a empresa registrou o avanço à frente do cronograma no projeto Bacaba, além das obras de ampliação da capacidade de disposição de rejeitos para assegurar a continuidade das operações na Mina do Sossego, em Canãa dos Carajás.
Apoiada na alta performance do primeiro semestre, a diretoria da Vale elevou o piso das estimativas de produção (guidance) para 2026 no segmento de metais para a transição energética:
- Cobre: Projeção ajustada para a faixa entre 360 mil e 380 mil toneladas (ante 350 mil a 380 mil t).
- Níquel: Projeção elevada para entre 185 mil e 200 mil toneladas (ante 175 mil a 200 mil t).
- Custos All-in: A estimativa de custo all-in para o cobre foi revisada para baixo, prevendo até US$ 500 por tonelada (ante US$ 1.000 a US$ 1.500 anteriores).
Para os acionistas, o Conselho de Administração da mineradora aprovou a distribuição de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,642 bilhões) em dividendos e juros sobre o capital próprio referentes aos resultados do primeiro semestre de 2026.
Redação CKS Online (com informações de O Globo e InfoMoney)











